Abandono de emprego

publicação original de brazilianvoice. com (clique e leia a crônica atual)

 

Voltei! Não pense que eu sou um colunista irresponsável, desses que dizem “vou ali comprar cigarros” e somem por 2 meses. Não, sou um cara que cumpre seus deveres e compromissos com a maior seriedade. Além do mais, eu não fumo. Uma desculpa dessas não ia colar.

O que aconteceu é que eu andava muito cansado e resolvi tirar uns dias pra relaxar um pouco. Peguei meu carro, um Opala 74 hatch, minha mulher e meus filhos, e fui passar um fim de semana em Cabo Frio.

Saímos à noite, para evitar o engarrafamento, e a estrada estava vazia. O céu estrelado, sem lua... De repente avistamos, entre Orion e Castor (ou seria Vênus e Júpiter?), uma luz muito intensa que foi crescendo, crescendo e se aproximou rapidamente de nós. Fomos sugados por aquele clarão para dentro de um disco voador. Fomos abduzidos, com carro e tudo.

Os ETs eram normais, como esses que todo mundo já viu: carecas, zolhudos, cabeção, sem orelhas... Tentei fazer algum tipo de contato, mas acho que são meio surdos. Ou então não falam português. Arrisquei a linguagem dos sinais, com as mãos, e um engraçadinho começou a rir e me mostrou o dedo do meio. “Bem”, pensei com meus botões, “pelo menos os caras têm senso de humor”.

Fui até uma janelinha e notei que estávamos sobrevoando Isla Marguerita. Na seqüência, Trinidad Tobago, Haiti, Republica Dominicana... tudo isso a uma velocidade espantosa. Foi quando demos de cara com um furacão e a nave começou a chacoalhar. Era uma dessas furaconas com nome feminino: Katrina, Elaine, Jeniffer Lopez... E você sabe que as mulheres, quer dizer, as furaconas femininas são as piores, são sempre descontroladas e imprevisíveis.

Pois bem, a nave rodopiou, perdeu altitude, a cabine despressurizou e fomos ladeira abaixo em direção ao mar do Caribe. Contando assim, parece mentira. Mas é a mais pura verdade: naufragamos com um disco voador.

Consegui salvar minha família, o Opala e o Ipod do meu guri. Só que o Ipod molhou e ele ficou injuriado.

Não sei se você sabe, mas os assentos do Opala 74 são flutuantes. Foi a nossa “tábua de salvação”. Por sorte, eu estava com os bolsos cheios de amendoins que eu havia roubado no vôo. Usei pra distrair os tubarões. Essas águas do Caribe são infestadas de tubarões da pior espécie. Os bichos comem de tudo. Até amendoim de marciano.

Ficamos ali boiando, um casal com 2 filhos, 3 dias e 3 noites, espantando tubarões, passando frio e fome até que finalmente conseguimos chegar sãos e salvos a uma ilha deserta.

Ainda bem que me obrigaram a ler o Robison Crusoé quando eu era criança. Já cheguei com um certo know how. E é claro, o filme do Tom Hanks também ajudou um pouco.

Ficamos incomunicáveis durante quase dois meses. Hóspedes exclusivos daquele lugar paradisíaco com muito sol, praia, água de coco e absolutamente nada pra fazer. E com a vantagem de não ter que pagar as despesas. Nada mal, hein? O único problema é que não tinha serviço de quarto.

Bem, as crianças se aborreceram bastante com aquela vida selvagem. 2 adolescentes sem MSN, sem TV, sem telefone... e com o Ipod molhado. Foi difícil.

Minha mulher ficou na boa. Sem preocupações e celulares tocando a toda hora, aproveitou o spa. Perdeu 4 quilos e voltou morenaça.

No fim, fomos encontrados por um iate cheio de gente bacana e nos levaram para uma mansão em Fort Lauderdale, na Flórida. Tomamos banho, comemos alguma coisa e liguei pro Seu Roberto, meu patrão, pra justificar meu sumiço.

Mas ele estava enfurecido, não quis acreditar em nada do que eu contei. Fez ameaças de que iria me despedir por abandono de emprego e me mandou falar com os advogados dele.

Pô! Cara estressado! A gente passa por uma tragédia dessas, correndo risco de vida e ainda tem que agüentar esse constrangimento. Sinceramente! Esse cara anda muito nervoso. Devia tirar uns dias pra descansar.

Vou ali comprar cigarros e já volto.

Kledir Ramil

Bodas de porcelana

publicação original de brazilianvoice. com (clique e leia a crônica atual)

 

Sou um cara tão fiel que até meus sonhos eróticos são com minha própria mulher. Mesmo depois de casado há vários anos. Sou tão apaixonado que já me inscrevi para ser namorado dela na próxima encarnação. E se coincidir de nós dois voltarmos com o mesmo sexo, eu viro gay.

Outro dia, lendo o jornal, encontrei uma reportagem com uma modelo-atriz que acaba de posar nua para a revista Playboy. “Não me sinto um símbolo sexual. Sou igual a todas essas mulheres que vocês homens têm em casa”. Igual!?! Que menina petulante. Querendo se comparar com a Dona Mocinha. Ela não tem idéia do que eu tenho dentro de casa. Quanta pretensão!

Sou casado com uma mulher inteligente, bonita e cheirosa, que toma banho 3 vezes por dia. Imagina se eu troco essa maravilha por outra com sabe lá que hábitos de higiene? Essa eu já conheço, sei as qualidades, cada virtude. Os defeitos, que são poucos, faço que não vejo. Afinal, o amor é cego. O importante é o conjunto da obra e não alguns pequenos deslizes.

E não sou só eu que tenho paciência, ela também tem uma enorme tolerância com as minhas manias. Até mesmo com algum pum que, eventualmente, me escape debaixo das cobertas.

Essa mulher tem suportado situações difíceis ao meu lado, como foi no episódio em que fez o papel de enfermeira domiciliar. Não vou fazer maiores comentários devido à natureza do assunto, só posso dizer que ela foi uma heroína. E mais, tem conseguido aguentar um marido friorento que dorme de moleton, meias de lã, um cobertor e dois edredons, em pleno verão carioca. Como é que eu vou deixar essa deusa por uma aventura qualquer?

Há poucos dias festejamos 20 anos de casados, quer dizer, de namoro. Ou melhor, tecnicamente ainda estamos noivos. Quando eu falei “tô a fim de ficar contigo” era por uma noite, mas ela entendeu que era pra vida toda. Na manhã seguinte, fiquei pra tomar café e não saí mais. O tempo foi passando, completamos bodas de porcelana e aquele papo inicial ficou carinhosamente registrado como um informal pedido de casamento.

Certa vez até conversamos sobre a possibilidade de casar oficialmente, já que as crianças estavam crescendo e nossa filha havia cobrado: “Mamãe, onde está seu vestido de noiva?”. Chegamos a ponderar que com um bom chá de panela daria para renovar os utensílios domésticos. Acabamos desistindo quando nos demos conta que teríamos que ir até o cartório em Copacabana, juntar a papelada, providenciar figurino, alianças, casa de festa... O trânsito anda um caos, não tenho tempo pra perder correndo atrás de vaga de estacionamento só pra ter um papel passado.

Nossa trajetória como casal, através destes anos todos, tem sido muito interessante. Temos uma vida familiar agradável e enriquecedora. É muito bom poder envelhecer ao lado de alguém. Ontem minha mulher disse que eu estou cada dia mais bonito. Agradeci o elogio para não contrariá-la. A verdade é que o grau de miopia dela está aumentando. Coisas da idade.

Atualmente, há uma supervalorização de tudo o que é novo em detrimento do que é antigo. Mas eu sou músico, fui criado no mundo do showbizz, onde esse processo se inverte. Temos uma paixão especial por instrumentos “oldies”, que já vêm com uma certa embocadura. Veja o caso de amor de Eric Clapton pela Fender Stratocaster dos anos 60. Se você quiser confirmar essa excentricidade, basta chegar na 48th St. em Nova York: a loja mais cara é uma que vende guitarras usadas. Quem entende do negócio não compra uma bobagem dessas recém saída de alguma fábrica coreana.

Essas gurias novas, que aparecem nuas nas revistas, são como as guitarras eletrônicas que imitam sons sintetizados. Não vou trocar minha velha Gibson por um modelo desses que periga nem funcionar no meu equipamento valvulado.

Kledir Ramil


Genética

publicação original de brazilianvoice. com (clique e leia a crônica atual)

 

Fabianne ia ser mamãe de novo. O marido Roberto, completamente bobo, ligou pra todo mundo pra contar. Zé Geraldo atendeu a ligação e perguntou, só de sacanagem, se ele estava desconfiado de alguém. Que maldade! Tem gente que perde o amigo, mas não perde uma boa piada.

Roberto já tinha dado provas do que é capaz com o nascimento de uma princesa chamada Isabella. Com esse novo golaço, em tão pouco tempo, começou a ser chamado de Robertão Bom de Mira. Sei que mineiro trabalha em silêncio, mas ninguém esperava uma artilharia tão fulminante.

Eu estava achando tudo muito estranho. Ele andava quieto, sem dar notícia. Foi quando descobri que o casal estava escondido em um paraíso tropical, uma dessas praias afrodisíacas em que, ou você engravida alguém ou alguém acaba te engravidando. Foi no que deu.

Quando ele me ligou pra contar a novidade, meus votos foram de que a criança fosse a cara da mãe, a simpatia da mãe, a inteligência da mãe. Mas lembrei que as leis da natureza são soberanas e seus 23 cromossomos de pai seriam acomodados em alguma função honrosa. Desde que não comprometessem a harmonia do todo.

Ele não precisava se preocupar, sua contribuição seria utilizada de um jeito ou de outro. Sempre há alguma coisa pra fazer, além do narizinho, da cor dos olhos e do QI. São órgãos de pouca visibilidade, mas não menos importantes, como a vesícula biliar, as glândulas salivares e o intestino grosso. É um trabalho duro, porém honesto.

A montagem desse quebra-cabeça genético, na hora do processo de criação, é um disputa acirrada. É como montar um ministério, ninguém quer pegar aquele com baixo orçamento. Mas na mesa de negociações, se você quiser um filho com o cabelo igual ao seu, vai ter que agüentar as orelhas do avô materno, e assim por diante.

A concepção tem vários métodos. O melhor ainda é a inseminação natural, através da tradicional prática do sexo. Pode não ser o mais eficiente, mas com certeza é o mais gostoso.

E na hora da correria, o homem em geral perde essa batalha por cargos importantes. Por pura ansiedade, quer logo partir pros finalmentes, sem pensar nas conseqüências. Como se o método em si fosse o próprio objetivo do acasalamento.

As mulheres, sempre mais inteligentes e espertas, ficam fazendo charme e acabam levando vantagem nessa distribuição de pesos e medidas. Isso sem falar dos 9 meses seguintes e da fase de amamentação, onde nossa participação fica reduzida a uma espécie de ordenança a serviço de “Sua Majestade, a Rainha Mãe”.

Apesar de tudo, acho uma bênção essa poderosa influência feminina na fabricação de filhos. É por isso que o mundo anda pra frente.

Eu mesmo confesso que olho para os meus filhos e vejo apenas a minha mulher. Graças a Deus. Meu trabalho foi mais subliminar, de fundamentos básicos, por assim dizer. Quando ouço alguém falar: “é a cara da mãe”, acrescento rapidamente: “e o caráter do pai”.

Fico fazendo brincadeiras com essas coisas, pois todos nós sabemos que não é possível determinar nem negociar os detalhes genéticos dos descendentes. Por enquanto.

Tem uma história que ficou famosa e ilustra muito bem esse assunto. Sarah Bernhardt, entusiasmada com o brilho intelectual de Bernard Shaw, propôs a ele fazerem um filho:

“Imagina uma criança com a minha beleza e a tua inteligência”.

Ao que Shaw retrucou, sabiamente:

- “O problema é que ela pode nascer feia como eu e burra que nem você”.

Kledir Ramil

Woodstock

publicação original de brazilianvoice. com (clique e leia a crônica atual)

 

Em 1969, para desespero de meus pais, decidi ir ao Festival de Woodstock. De moto.

Sim, eu sei que é loucura. Um garoto menor de idade, sem carteira e sem dinheiro, viajar de moto até os Estados Unidos. Mas era o espírito da época, pra não dizer outra coisa.

Bem, consegui chegar até a Praia de Bombinhas, em Santa Catarina. Só não fui adiante porque furou o pneu da moto e me encantei pelos olhos de uma alemoa de Blumenau que estava acampada numa barraca... Enfim, fui atropelado pelos acontecimentos.

Woodstock eu vi depois, no cinema. O disco, escutei até furar. Eram 3 LPs. Decorei todas as letras e solos de guitarra. Cheguei a pensar em arrancar os dentes da frente, como fez Richie Havens pra poder cantar melhor, mas bateu um bom senso. Coisa rara naquele tempo.

Comprei um medalhão enorme com aquele símbolo de paz e amor, pendurei no pescoço e só tirava pra tomar banho. Aliás, um hábito que, na época, estava fora de moda.

Aprendi a mexer com couro e, além de um chapéu, fiz uma bolsa tiracolo, vermelha, com umas franjas e uma ferradura colada pra dar sorte.

Fora esses utensílios, meu guarda roupa incluía umas camisetas tingidas com desenhos psicodélicos, 2 túnicas indianas, uma calça boca-de-sino, um tamanco de madeira e um macacão de veludo que, segundo os comentários de minha tia, era capaz de andar sozinho.

Deixei a barba e os cabelos crescerem desordenadamente e acredito que aquela revolução, que se passava do lado de fora da cabeça, acabou vazando pra dentro e influenciou o processo de desenvolvimento do meu córtex cerebral. Algumas idéias desconectadas só começaram a fazer sentido recentemente.

Minha mãe dizia que o LSD e todas as outras drogas queimavam os neurônios e que nós seríamos uma geração de estúpidos. Eu hoje olho para o mundo e acho que ela estava com a razão. Em parte. Só não concordo que seja culpa do ácido lisérgico. Nem todos nós consumíamos drogas. E as piores estupidezes têm sido cometidas exatamente por aqueles que fumavam, mas não tragavam.

Talvez a teoria da minha mãe não tenha fundamento científico e esse atributo da estupidez seja na verdade um karma coletivo da nossa geração. Vai saber.

Ao mesmo tempo, não sei de onde os mais velhos tiravam essas informações sobre tóxicos. A droga mais pesada que minha mãe experimentou foi a pílula anticoncepcional. E mesmo assim, uma delas não funcionou. Deve ter vindo malhada.

Há pouco tempo, comprei o DVD do filme de Woodstock. Cheguei em casa, botei pra rodar e não consegui parar de assistir.

Quando me dei conta estava chorando. Não sei explicar direito. Foi uma mistura de sentimentos. Tudo o que poderia ter sido e que não foi... Não, não estou falando da alemoa de Santa Catarina. Tô falando desse mundo que a gente criou e está deixando de herança para os nossos filhos. Sem paz e amor.

Kledir Ramil

 

Minha mulher

publicação original de brazilianvoice. com (clique e leia a crônica atual)

 

Proibi minha mulher de mexer no fogão. Pelo menos nos fins de semana, quando não temos empregada para apagar seus incêndios. É que ela bota um leite pra esquentar e some. Vai pro telefone, pro computador e esquece da vida. É um perigo, queima tudo. Qualquer dia vai botar fogo na casa.

A desculpa de sempre é que está cheia de coisas importantes pra fazer. Eu não digo nada, mas cá entre nós, todo mundo sabe que com o passar dos anos a capacidade de memória vai ficando deteriorada. Ou seja, o peso da idade deve estar atrapalhando.

Outro dia saímos juntos de casa, cada um no seu carro. Ela, disparada na frente, como sempre atrasada para alguma reunião, e eu logo atrás. Paramos em um sinal e notei que o chaveiro dela – uma boneca da Hello Kitty com um monte de chaves - estava pendurado na tampa de trás, enfiado na fechadura do porta malas.

Já não é a primeira vez que isso acontece. Ela sai com a chave reserva e a outra fica pro lado de fora do carro. Aí estaciona em qualquer lugar, deixa bolsa, pacotes e notebook em cima do banco, aquelas coisas. Os ladrões adoram.

Todas as noites, antes de dormir, além de olhar se as portas da casa estão trancadas, sempre dou uma passada na garagem pra desligar os faróis do carro, que costumam ficar acesos. Teve um dia que ela esqueceu o ar condicionado ligado a noite inteira. Não há bateria que agüente.

E o pior é que se você vai reclamar, ainda tem que ouvir:

- Mas automóvel ainda tem bateria? Que coisa mais antiga.

Semana passada fui parar na emergência da Clínica São Vicente. Ela acordou com o olho vermelho, cheio de sangue. Parecia a Morticia da Família Adams. Graças a Deus não foi nada grave, apenas um vasinho arrebentado. Foi medicada e voltamos pra casa. Só 3 dias depois é que ela criou coragem e confessou que estava dirigindo e resolveu pintar os cílios ao mesmo tempo. Acabou enfiando o pincel no olho. Por pouco não perde a visão. É uma louca. Você já viu alguém dirigir e pintar os cílios ao mesmo tempo? Pois é. Nem eu. Não, não estou falando de aproveitar o sinal parado e retocar a maquiagem no espelhinho. Tô falando de carro andando, no meio do tráfego, provavelmente falando no celular...

Sim, falar no celular é comum, já faz parte. Ela dirige sempre com o celular ligado. Acha muita perda de tempo, com tanta coisa pra fazer, ficar só controlando um automóvel, já que tem 2 braços, 2 pernas, 2 orelhas... O resultado é que ontem paguei 11 multas de trânsito.

Em geral, a relação das mulheres com o automóvel resume-se ao “enche o tanque” e pronto. Se o frentista faz alguma pergunta mais complexa, como por exemplo, se é gasolina comum ou aditivada, elas pedem tempo.

- Só um minutinho que eu vou ligar pro meu marido.

Outro dia minha mulher parou em fila dupla na frente de uma loja. De repente, viu seu carro andando lentamente e saiu correndo aos gritos:

- Socorro! Estão roubando meu carro!

Foi um alvoroço, veio segurança, lojista, polícia. O trânsito enlouquecido da Avenida das Américas parou. Todos frearam bruscamente, pois o carro foi atravessando a pista sem controle. Quando ela chegou perto notou que não havia ninguém no volante. O carro andou sozinho. Ela havia esquecido de puxar o freio de mão.

Se eu tô junto, faço que nem conheço.

Kledir Ramil

Futebol e sexo

publicação original de brazilianvoice. com (clique e leia a crônica atual)

 

Não considero que futebol e sexo sejam incompatíveis, desde que o futebol seja praticado com parcimônia.

O problema é que nossos atletas são submetidos a uma rotina desgastante de jogos e treinamentos. É claro, esses excessos acabam prejudicando o desempenho sexual e criando sérios problemas de relacionamento em casa, com a patroa.

Essa questão fica agravada em época de campeonato. A imprensa está lá presente, registrando tudo como se fosse um reality show esportivo. Aí os caras exageram, perdem o controle e só pensam naquilo: futebol! E descuidam dos fundamentos que deveriam acontecer por debaixo dos lençóis, que afinal de contas é o que importa para o desenvolvimento da espécie humana.

Mas agora, com a evolução dos recursos químicos, já existe uma saída para esse impasse. Nossos atletas podem pegar pesado nos exercícios físicos e, em caso de necessidade, é só usar um desses comprimidos contra disfunção erétil crônica. Ou seja, podem atender seus compromissos profissionais, sem comprometer a performance doméstica.

Em geral, os jogadores de um time ficam em concentração antes de uma partida importante. Concentração é uma tortura psicológica a que são submetidos os atletas com o objetivo de deixá-los com os nervos à flor da pele, para que possam estraçalhar os inimigos quando entrarem no ringue, quer dizer, no gramado. Ficam lá jogando sinuca, paciência e dominó. Uma maldade com esses rapazes na flor da idade, cheios de amor pra dar. Com um lazer desses, os caras acabam ficando mentalmente perturbados, entram em campo bufando e transformam qualquer jogo em uma batalha de vida ou morte. Esse é o princípio.

Imagine 23 homens trancados num lugar durante meia hora. Já é complicado. Mantenha o castigo por algumas horas. Vá aumentando a carga horária. Depois de 2 ou 3 dias os caras entram em desespero. Imagine então uma Copa do Mundo, onde a concentração pode chegar a 1 mês. Tem gente que começa a subir pelas paredes.

No início, essa situação de convivência íntima é tranqüila. Mas em pouco tempo, no banho do vestiário, ninguém mais quer abaixar pra pegar o sabonete. Isso vai criando um clima pesado e afeta psicologicamente o grupo. Aí, o mais aconselhável é o técnico deixar de usar certas expressões como “vir por trás” e “penetração” para evitar qualquer mal entendido.

Ouvi dizer que normalmente depois de alguns dias de concentração, na falta de opção melhor, alguns jogadores recorrem às teorias de elaboração tática. Só que em vez do esquema 4-4-2 lançam mão do 5 contra 1.

Minha opinião é que nessa Copa da Alemanha deviam ter liberado o pessoal para levar a mulherada. Provavelmente não conseguiríamos trazer a taça, mas quem é que está interessado nisso? Já somos Penta, tá na hora de relaxar e deixar a rapaziada se divertir um pouco.

Kledir Ramil

Caro Jesus

publicação original de brazilianvoice. com (clique e leia a crônica atual)

 

O jornal italiano Corriere della Sera publicou uma divertida seleção de frases, tiradas do livro "Caro Gesù", recém-lançado pela editora Sonzogno. É uma amostra do que as crianças italianas costumam escrever nas redações da escola, nas aulas de catecismo e em bilhetinhos de final de ano.


Na Itália, o Papai Noel não é assim tão popular e, no Natal, a garotada costuma garantir seus pedidos escrevendo diretamente pra chefia, o Gesù Bambino, como eles chamam o Menino Jesus.


Divirta-se:


- "Querido Jesus, a girafa você queria assim mesmo ou foi um acidente?". (Dante)


- "Querido Menino Jesus, todos os meus colegas da escola escrevem para o Papai Noel, mas eu não confio naquele lá. Prefiro você." (Sara)


- "Querido Menino Jesus, obrigado pelo irmãozinho. Mas na verdade eu tinha rezado pra ganhar um cachorro." (Gianluca)


- "Querido Jesus, por que você não está inventando nenhum animal novo nos últimos tempos? A gente vê sempre os mesmos." (Laura)


- "Querido Jesus, por favor ponha um pouco mais de férias entre o Natal e a Páscoa. No meio, agora está sem nada." (Marco)


- "Querido Jesus, o padre Mário é seu amigo ou você conhece ele só do trabalho?" (Antonio)


- "Querido Menino Jesus, por gentileza, mande-me um cachorrinho. Eu nunca pedi nada antes, pode conferir." (Bruno)


- "Querido Jesus, talvez Caim e Abel não se matassem tanto se tivessem um quarto pra cada um. Com o meu irmão funciona." (Lorenzo)


- "Querido Jesus, no Carnaval eu vou me fantasiar de diabo, você tem alguma coisa contra?" (Michela)


- "Querido Jesus, eu gosto muito do padre-nosso. Você escreveu tudo de uma só vez, ou você teve que ficar apagando? Qualquer coisa que eu escrevo eu tenho que refazer um monte de vezes." (Franco)


- "Querido Jesus, o meu nome é Andrea e o meu físico é baixo e magrinho, mas não fraco. O meu irmão diz que a minha cara é horrorosa. Mas eu gosto, porque assim não vou ter aquelas esposas que ficam o tempo todo pegando no pé, fazendo fofoca." (Andrea)


- "Querido Jesus, você é invisível mesmo ou é só um truque?" (Giovanni)


- "Querido Jesus, na minha opinião, é impossível existir um Deus melhor do que você. Bom, eu só queria que você soubesse, mas estou te dizendo isso não é porque você é Deus." (Valerio)


- "Querido Jesus, em vez de você fazer as pessoas morrerem e aí criar novas pessoas, por que você não fica com as que já tem?" (Marcello)


- "Querido Jesus, se não tivesse acontecido a extinção dos dinossauros não ia ter lugar para nós, você fez muito bem." (Maurizio)


- "Querido Menino Jesus, não compre os presentes na loja embaixo no prédio, a mamãe diz que eles são uns ladrões. Muito melhor no super." (Lucia)


- "Querido Jesus, na escola nós estudamos que Thomas Edison inventou a luz. Mas no catecismo dizem que foi você. Pra mim ele roubou a sua idéia." (Daria)

Kledir Ramil

Tudo o que você sempre quis saber sobre a cerveja

publicação original de brazilianvoice. com (clique e leia a crônica atual)

 

Todos os dias, eu recebo um monte de besteiras pela internet. Como você, como todo mundo. É difícil conseguir se livrar de tanto lixo. Tem muito cara que se acha engraçadinho e resolve dividir sua falta de talento com os outros. Meu consolo é que de vez em quando chega algum texto realmente divertido. Não sei quem escreveu esse sobre a cerveja, mas dei boas risadas. Espero que você se divirta.


Bebida mata?

Sim. Sobretudo se você for atingido por uma caixa de cervejas com garrafas cheias. Além disso, vários casos de infarto do miocárdio em idosos têm sido associados às propagandas de cervejas com modelos gostosas.


O uso continuo do álcool pode levar ao uso de drogas mais pesadas?

Não, o álcool é a mais pesada das drogas. Uma garrafa de cerveja pesa cerca de 900 gramas.


A cerveja causa dependência psicológica?

Não. 89,7% dos psicólogos e psicanalistas entrevistados preferem whisky.


Mulheres grávidas podem beber sem risco?

Sim. Está provado que, nas blitz, a polícia nunca pede o teste do bafômetro para gestantes. E se elas tiverem que fazer o 4 ou o teste de andar em linha reta, sempre podem atribuir o desequilíbrio ao peso da barriga.


Cerveja pode diminuir os reflexos dos motoristas?

Não. Foi feita uma experiência com mais de 500 motoristas: cada um bebeu 1 caixa de cerveja e, em seguida, foram colocados um a um diante do espelho. Em nenhum dos casos, os reflexos foram alterados.


Existe alguma relação entre bebida e envelhecimento?

Sim. A bebida envelhece muito rápido. Para se ter uma idéia, se você deixar uma garrafa ou lata de cerveja aberta ela perderá o sabor em aproximadamente quinze minutos.


A cerveja atrapalha no rendimento escolar?

Não, pelo contrário. Alguns donos de faculdade estão aumentando suas rendas com a venda de cerveja nas cantinas.


O que faz com que a bebida chegue aos adolescentes?

Inúmeras pesquisas vêm sendo feitas por laboratórios de renome. Todas indicam, em primeiríssimo lugar, o garçom.


A cerveja causa diminuição da memória?

Que eu me lembre, não!

Kledir Ramil

 

Crônicas de Kledir Ramil - Direitos Reservados a brazilianvoice. com detentor das publicações originais (clique aqui e visite o site)