Ôxe!

publicação original de brazilianvoice. com (clique e leia a crônica atual)

 

Recife é uma festa. Fui dormir às 4 da manhã, depois de fazer show no belíssimo Teatro de Santa Isabel e sair para jantar com amigos, num restaurante de comida deliciosa. Eu estava hospedado num hotel na Praia de Boa Viagem, de frente pro mar. Paisagem linda, natureza exuberante. Céu azul, água cristalina e... tubarões. Tudo bem, com tanta coisa bonita quem é que liga para tubarões? É só não entrar na água.

Às 7 da manhã, ou seja, depois de dormir apenas 3 horas, comecei a escutar som de microfones sendo testados. Pensei que estava sonhando com minha própria equipe trabalhando, mas não. Estavam preparando o palco para um show de pagode de uma rádio popular. Na areia da praia, em frente ao hotel. Levantei, passei uma água no rosto, fechei um mate e fui pra janela. Vou fazer o quê? Resolvi entrar no clima. Aí começou o batuque.

Foi juntando gente, juntando gente e em pouco tempo havia uma multidão cantando e dançando os sucessos radiofônicos. Aprendi até uma coreografia: “direita, esquerda, lá em cima, palminha”. Tentei incluir os movimentos na minha apresentação daquela noite no teatro, mas fui vetado pelo diretor do espetáculo. Os músicos da banda ficaram debochando, dizendo que eu não tinha sido aprovado pelo controle de qualidade. Pura inveja.

Voltando à janela. Eu já estava animado, sambando, reproduzindo razoavelmente as coreografias que as bailarinas-contorcionistas ensinavam. Foi quando surgiu, não sei de onde, um trio elétrico tocando frevo. E mais outro. E mais um. Eram 3 trios elétricos, um berrando mais do que o outro, somados ao som que vinha do palco. Virou uma guerra de alto-falantes. E eu no meio. Na janela. Era época de campanha política e em cima de cada caminhão vinha um candidato prometendo alguma coisa. E a palavra de ordem de todos era a mesma: mudança!

Não entendo mais nada, até candidato a reeleição propõe mudança. É uma loucura. Esse negócio de política está cada vez mais confuso. Vai ver que o cara vai mudar de time, torcedor do Náutico vai pro Santa Cruz ou pro Sport, sei lá. Liguei pra recepção para arrumarem meu quarto. O rapaz me atendeu todo enrolado:
- Olhe... Socorro...
Fiquei preocupado:
- O que foi, está sendo assaltado?
- Não, não. Socorro é o nome da camareira. Ela sumiu, acho que está lá no show da praia...

A coisa estava passando dos limites. Desci até o saguão para reclamar com a gerência. A confusão era enorme. Um grupo fantasiado e com bandeiras de um candidato-a-não-sei-o-quê, tomava conta do lobby, gritando e batendo tambores. Uma morena, com uma peruca enorme com todas as cores do arco-íris, olhou pra mim e gritou:

- Ôxe!!! É Kleiton e Kledir!!!
Assim mesmo, como se eu fosse 2 pessoas numa só. Me cercaram e levaram pra cima do caminhão de som. Coloraram um microfone na minha mão e, sem saber o que dizer, comecei a gritar:

- Mudança! Mudança!

Fui ovacionado e carregado nos braços pela multidão, em direção ao show de pagode. De onde, lá pro fim da tarde, fui resgatado pelo meu produtor, pois estava na hora de irmos para o teatro. Cheguei exausto, mas feliz. Recife é uma festa. Se em campanha política é assim, imaginem no carnaval.

Já me inscrevi pra desfilar no Galo da Madrugada, em fevereiro. Quando voltar, eu conto. Quer dizer, se eu conseguir voltar. Ôxe!!!

Kledir Ramil

Pedro Osório 2016 - Cidade Candidata

publicação original de brazilianvoice. com (clique e leia a crônica atual)

 

Entre as cidades que já manifestaram interesse em organizar os Jogos Olímpicos de 2016 figuram Berlim, Madri, Milão, Bangcoc e Nova Délhi. O Rio de Janeiro será a cidade brasileira postulante à sede dos jogos. Não sei quem toma essas decisões, mas gostaria de apresentar uma nova proposta: a candidatura da cidade de Pedro Osório, no Rio Grande do Sul.

Nada mais justo do que homenagear esse município que traz na sua origem o nome de Vila Olimpo. É uma cidade predestinada, que já nasceu com essa vocação esportiva.

Os comentários que ouvi são de que o Rio de Janeiro estaria mais habilitado para a missão, pois vai sediar o Pan. Não sei, acho que deveríamos levar em conta outros fatores.

Por exemplo, a tocha olímpica. O gaúcho é o povo mais preparado para isso. Qualquer índio velho sabe fazer um fogo bem feito. Assim “no más”, junta umas achas de lenhas, acende um fósforo e pronto. E aí, como quem não quer nada, já aparece um compadre com um naco de picanha gorda enfiada no espeto pra aproveitar o braseiro.

Não há dúvida, seria uma olimpíada inesquecível.
É claro, teríamos que fazer algumas adaptações. As modalidades de jogos teriam que ser revistas para que se pudesse incorporar esportes com características mais regionais, como a Bocha, o Truco e o Jogo do Osso.

O espírito olímpico do Barão de Coubertain - “o importante é competir” – teria que ser alterado para alguma coisa do tipo “não te fresqueia, bagual”.

O Boxe poderia ser substituído pela Briga de Baile, muito mais emocionante. Só termina quando alguém abre a cabeça do outro com uma garrafa de cerveja. Não praticamos artes marciais como Judô e Karatê, mas temos a Queda de Braço. Imagina uma competição dessas via satélite, pra todo o mundo.

Tênis de Mesa pra nós é jogo de criança, o tal do Ping-Pong. Já que vai ter diversão pra gurizada, podiam incluir também Bolinha de Gude, Pandorga e Bodoque com Caroço de Cinamomo.
Arco e Flecha é coisa de índio. É barbada. A gente mexe com isso desde o tempo dos guaranis. E esse negócio de Ciclismo pra nós é passeio de bici. Vamos botar as mulheres pra disputar com eles.

Aquela corrida esquisita em que os homens ficam se requebrando, com passos de mulherzinha, está decididamente proibida. Afinal, o Rio Grande é terra de macho.

O estilo top da natação será o Nado de Costa com Poncho em Açude, um esporte para poucos.

Futebol vai ter que ser o de Campanha - ou de Várzea - para se adaptar às condições do estádio local, que durante a semana funciona como pastagem para o gado. As regras são aquelas de sempre: sem camisa pra um lado, com camisa pro outro e da cintura pra baixo é canela. O uniforme é bombacha, bota e espora. Quem não se adaptar, pode jogar de pé descalço. Mas depois não venha me reclamar.

Tiro ao alvo será mantido. Só que o alvo vai ser uns maçanicos do banhado. A Esgrima vai usar adagas de verdade e não aqueles arames fininhos, sem graça. E se tocarem uma rancheira, melhor, a coisa vira Dança dos Facões.

Hipismo pode manter, o que não falta é cavalo. Vai ter Califórnia, Cancha Reta... Se alguém insistir em incluir a Caça ao Porco do Mato e a Briga de Galo de Rinha, o meu voto é contra.


A Ginástica Olímpica será substituída, com vantagens, por apresentações de Chula e Chimarrita. E os organizadores vão precisar romper preconceitos em relação a alguns esportes considerados menores, mas de grande aceitação popular, como: Cuspe em Distância, Peteleco e Halterocopismo.

E tudo isso sem falar da festa de abertura: o estádio às escuras, holofotes no céu, ao som de 300 bombos legüeros. De repente uma explosão, o palco principal se ilumina e lá está ela. Linda! Maravilhosa! Para apresentar o espetáculo, a Rainha da Olimpíada, a deslumbrante Giselle Bündchen!!!
E por aí vai... Vamos amadurecer a idéia. Não quero cantar vitória antes do tempo.

Kledir Ramil


Previsões de ano novo

publicação original de brazilianvoice. com (clique e leia a crônica atual)

Todo ano é a mesma coisa. Muita gente faz previsões, mas quando o ano termina, esquece de conferir se elas realmente aconteceram. Por isso, em atitude corajosa, resolvi fazer uma avaliação das profecias que apresentei na virada de 2005 para 2006.

O artigo que escrevi para O Fuxico, fazendo presságios para o ano que passou, infelizmente não chegou a ser publicado. Culpa da desorganização de minha secretária particular, aliás, ex-secretária, que extraviou o documento. Só depois se descobriu que a dificuldade que ela tinha de organizar seus próprios pensamentos era diretamente proporcional à quantidade de álcool, sempre exagerada, que trazia no sangue. Detalhe que se potencializava nessa época de festas de fim de ano.

Enfim, meu artigo não chegou às mãos de Dona Ester, minha diretora de redação, e as previsões acabaram não sendo publicadas. Mas, vocês não precisam se preocupar, guardei uma cópia aqui comigo. E para que não haja dúvida em relação à veracidade do documento, foi feito um registro no cartório que meu cunhado argentino possui em Ciudad del Leste, Paraguai.

Então, vejamos:

“O mundo vai acabar em 2006” – plenamente confirmado, com o caos que se viu nos aeroportos brasileiros. Se isso não é o fim do mundo, então não sei o que será.

“Um excepcional alinhamento de Mercúrio, Vênus e Júpiter trará alegria, riqueza e prosperidade” – confirmado, infelizmente apenas para alguns afortunados.

“Do meio das trevas nascerá a luz” – o sol que apareceu todas as manhãs, com exceção dos dias nublados. (essa previsão eu faço todos os anos e sempre dá certo).

“A planta que dá uvas criará um quadrado de três pontas que, sem saber o que fazer com aquilo, que é redondo, encherá a nação de vergonha” – a participação desastrosa da Seleção de Parreira na Copa do Mundo.

“A história perderá um de seus grandes líderes” – (outra que sempre funciona) aqui você tem várias opões que confirmam a profecia. A minha preferida é James Brown. Mas dependendo do seu gosto pessoal, é possível escolher até mesmo o General Pinochet. Argh!

“De onde menos se espera é que não sai nada mesmo” – Congresso Nacional.

“Grupo de malfeitores usará, em proveito próprio, as carruagens dos feridos” – a máfia das ambulâncias.

“Chegaremos às alturas” – muitos pensaram que eu me referia à taxa de juros no Brasil, mas eu estava falando de Marcos César Pontes, o primeiro astronauta brasileiro.

“Fernando, o Grande, com seu exército vermelho, depois de conquistar as Américas destruirá os semideuses e reinará sobre todo o planeta” – só mesmo um visionário como eu poderia garantir que o Sport Club Internacional seria Campeão do Mundo. Em cima do Barcelona.

Feliz 2007.
Estou prevendo coisas ótimas para todos nós.
Depois eu conto
.

Kledir Ramil

Relógio de Pulso

publicação original de brazilianvoice. com (clique e leia a crônica atual)

 

O relógio de pulso está com os dias contados. Cada vez mais ele está se transformando em um adereço, como o brinco e o colar. Ninguém mais precisa carregar um relógio para saber as horas. Para onde a gente se vira, tem alguma coisa digital informando o horário.

O celular, que hoje em dia parece um canivete suíço de tantas funções que desempenha, além de mostrar as horas também pode servir de despertador todas as manhãs. Os automóveis já saem de fábrica com um relógio no painel. Na rua, a cada 100 metros tem um picolé informando a temperatura e a hora certa. E é certa mesmo, geralmente mais precisa do que aquela que a gente tem no pulso. Você senta no computador e está lá na tela, o tempo todo, o avanço do próprio à sua disposição. Inclusive, com a possibilidade de corrigir automaticamente o seu horário com precisão atômica, conectando-se com um relógio que fica não sei onde e utiliza as vibrações naturais dos átomos de césio, rubídio ou hidrogênio. Eu não sabia nem que rubídio tinha átomo.


Em casa, além do tradicional carrilhão pendurado na cozinha, você tem as horas espalhadas por toda parte: na TV, no vídeo, no DVD, no equipamento de som, no forno de micro-ondas, na esteira rolante... Enfim, pra que você precisa andar com um instrumento amarrado no braço com uma pulseira?


O relógio de pulso foi inventado por Santos Dumont, um brasileiro baixinho, de bigode e chapéu de aba larga, que quando não tinha o que fazer construía umas coisas malucas. Como o avião.


Dizem que ele ficava irritado quando estava trabalhando e precisava saber as horas, pois tinha que meter a mão cheia de graxa no bolso do colete para tirar o cebolão. Naquela época, relógio pessoal era um patacão grosso, com tampa de metal, que ficava preso na cintura através de uma corrente.Santos Dumont tanto melecou a roupa e o próprio relógio, que resolveu inventar um modelo mais prático, preso ao pulso e, é claro, sem tampa, que pudesse ser consultado sem muito esforço. Foi um sucesso mundial, virou acessório básico, como hoje é o celular, mas agora está com os dias contados.


Só serve de enfeite. Ninguém mais olha pro pulso para saber que horas são.


Antigamente, a passagem do tempo era medida pelo movimento dos astros. “Estarei de volta daqui a 4 luas”. Depois inventaram o relógio de sol, que tinha o grande inconveniente de não funcionar em dia nublado. A ampulheta era um negócio bacana, mas você tinha que ficar direto desvirando a geringonça.


O relógio de corda foi um salto na história da medição do avanço do tempo. O homem havia criado uma máquina que mostrava a cada momento a hora, o minuto e o segundo em que estávamos. O único problema é que o maluco que inventou o instrumento, em vez de fazer uma roda com 24 horas, dividiu o dia em duas voltas de 12 horas. E idealizou um processo de leitura com 3 ponteiros, um pequeno, um grande e um magrinho nervoso, criando uma dor de cabeça pra todo garoto que tenta aprender porque 20 para as 5 é quando um ponteiro está no 8 e o outro entre o 4 e o 5.


Hoje em dia, com os relógios digitais, esse método de leitura está completamente obsoleto, mas mesmo assim continua sendo ensinado nas escolas. Acho que a título de curiosidade. Ou então é maldade mesmo. Dizem que não, mas tenho a nítida impressão de que o tempo está andando cada vez mais rápido. A minha infância, que oficialmente foi de 0 até os 10 anos de idade, levou uns 24 anos para passar. Depois dos quarenta, fui surpreendido pela velocidade do tempo e quando vi estava chegando aos cinqüenta em menos de 6 meses.


Acredito que os novos relógios digitais já vêm programados para acompanhar esse ritmo frenético do tempo, que cresce em escala exponencial. Por isso é que os velhos relógios não funcionam mais. Você já notou isso? Chega um momento em que eles começam a atrasar. Não é verdade. Eles não estão atrasando, o tempo é que está acelerando. E pelo jeito, tudo isso com a conivência do Maestro lá de cima. E se até Ele acha que está bem assim, que o andamento pode ser um pouco mais pra frente, quem sou eu pra estar me metendo nesse assunto? Por mim, tudo bem. Não vou entrar em discussão.


Simplesmente aceitei os fatos da vida e parei de dar corda no velho carrilhão que era do meu avô. Deixei ele lá encostado na parede, só como peça de decoração. E também joguei fora meu relógio de pulso. Agora, quando quero saber as horas, olho pra qualquer lado, pois sempre tem algum relógio me informando a hora certa.


O que também não adianta nada. Mesmo cercado de relógios por todos os lados, eu continuo procurando respeitar o meu ritmo interior e acabo sempre chegando atrasado aos compromissos.

Kledir Ramil

República dos Rios Grandes

publicação original de brazilianvoice. com (clique e leia a crônica atual)

O nome Rio Grande do Sul é uma referência à Lagoa dos Patos, que os descobridores portugueses, equivocadamente, pensavam que fosse um enorme rio. Toda essa quantidade de água começa com cinco rios que se encontram para formar o Guaíba e depois a lagoa. Para então, segundo a lenda, criar o oceano Atlântico. Pelo menos é o que dizem os gaúchos.

Em Recife ouvi a mesma história com outros personagens, o Beberibe e o Capibaribe. Não sei, não quero entrar em discussão, mas acho que nós, os gaúchos, temos muito mais volume d’água.

O Estado do Rio Grande do Norte traz em seu nome uma homenagem ao Potengi, que lá na língua da tribo dos potiguares, quer dizer exatamente “rio grande”.

Paraná, em tupi-guarani, também quer dizer “rio grande”. Seguindo a lógica, o Estado deveria se chamar Rio Grande do Meio. E como o rio Paraná nasce um pouco mais acima, ficaria bem simpático se mudassem o nome do Estado de São Paulo para Nascente do Rio Grande.

Paraíba quer dizer “rio revolto, de difícil navegação”. Pernambuco vem do tupi Paranampuka e significa “encontro de rios grandes”, exatamente aqueles lá do Recife que citei no início. Poderíamos juntar os dois Estados e criar o Rio Grande do Nordeste.

Rio de Janeiro é uma licença poética ou, visto por outro ângulo, um “erro de concordância”. Não se pode dizer que ele pertence apenas a um dos meses do ano. Além disso, é um erro grosseiro de geografia. Aquela água toda é na verdade uma baía.

Proponho corrigirmos pelo menos a infração gramatical e rebatizarmos o Estado fluminense: Rio Grande do Leste.
Bahia com H, mais um erro. Agora, de ortografia. Vamos corrigir para Rio São Francisco do Norte. Sim, porque Rio São Francisco do Sul seria para designar o atual Estado de Minas Gerais, um nome obsoleto, já que as minas estão inativas, não têm mais ouro.

O Amazonas é o maior rio do mundo e batizou o maior Estado da federação. Ficaria muito melhor como Rio Grande do Oeste. Para o estado do Tocantins, cujo nome faz menção a seu famoso rio, sugiro manter a coerência: Rio Grande do Centro. Pará é uma homenagem ao encontro das águas do Tocantins com o Amazonas, que forma um rio tão grande que parece um mar. Vamos chamar de Rio Muito Grande Mesmo.

Como dá pra notar, existe uma tendência histórica de identificar os diferentes lugares do Brasil através de nossa importante bacia fluvial.

E com tantos rios caudalosos espalhados pelo país, o mais justo seria mudarmos o nome da nação para República dos Rios Grandes. O único inconveniente é que não seríamos mais chamados de brasileiros. Riograndenses, riograndinos...? Qual seria o novo gentílico?

Sei lá, acho que podíamos chamar todo mundo de gaúcho.
Que tal?

Kledir Ramil

Romi-Isetta

publicação original de brazilianvoice. com (clique e leia a crônica atual)

 

Certa vez escrevi que a Romi-Isetta era “tipo assim um veículo automotivo, com 3 rodas”. Um leitor escreveu me corrigindo, não eram 3 eram 4. Eu sei que a Romi-Isetta tinha 4 rodas. O que eu quis dizer, na verdade, é que ela tinha “praticamente” 3 rodas. Era assim. As duas de trás eram tão juntas que pareciam coladas, ou somadas. E duas rodas coladas é igual a uma roda larga. Praticamente.

Depois, outro leitor me corrigiu, porque eu havia escrito Romiseta, quando o correto é Romi-Isetta. Os leitores são como os clientes de lojas, sempre têm razão. Eu estava errado mais uma vez. Mas esse erro também era intencional. Eu estava tentando abrasileirar o nome, tentando deixar a marca mais popular. Imaginei que com esse neologismo seria mais fácil identificar o simpático carrinho. Certas marcas são tão populares, que se confundem com a própria “coisa”, como é o caso da Xerox. Não colou. Meus leitores são muito espertos.

Daquela vez, quando tentei descrever a Romi-Isetta, escrevi: “Não dá pra explicar aqui o que era uma Romiseta, só vou dizer que era tipo assim um veículo automotivo, com 3 rodas, que a gente entrava pela parte da frente - onde hoje fica o motor - e a direção era grudada na porta. Cada vez que abria a porta, a direção ia junto. Uma loucura. Procure aí na internet, deve haver um site sobre isso”.

Resolvi seguir o meu próprio conselho e entrei na internet. Há vários sites sobre o assunto, com fotos – uma mais linda que a outra - que explicam muito melhor tudo o que estou tentando fazer aqui. Enquanto você não acessa, deixa eu ir contando.

Romi-Isetta foi o primeiro automóvel brasileiro. Se é que se pode chamar aquilo de automóvel. Era um veiculo estranho, mas encantador. Parecia um ovo colorido com motor, um carro de desenho animado. Chegou a ser apelidado, pelos engraçadinhos, de Lambreta Grávida. Uma maldade.

O Sr. Romi, um engenheiro visionário, tinha uma fábrica de tornos mecânicos e chegou à conclusão que, se sabia tornear barras de aço, seria capaz de construir automóveis. Comprou a licença do projeto da italiana Isetta e entrou para a história, como o primeiro fabricante de automóveis no Brasil. “Um carro a frente de seu tempo”. Compacto, econômico, ágil no trânsito e barato. Tudo que as montadoras buscam hoje em dia. E isso, numa época em que o sucesso da indústria automobilística eram as grandes banheiras americanas, tipo rabo-de-peixe.

Tornos mecânicos me lembram o presidente Lula que um dia também chegou à conclusão que, se conseguia pilotar aquela máquina, seria capaz de dirigir o pais. Acho que vou comprar um torno de presente pro meu filho. Quem sabe o guri não tem uma idéia brilhante?

Kledir Ramil

São Tantas Emoções

publicação original de brazilianvoice. com (clique e leia a crônica atual)


Nos anos 60 os Beatles e os Rolling Stones sacudiam o mundo com um ritmo contagiante e as cabeças cheias de idéias e cabelos. Por aqui, Roberto e Erasmo comandavam a Jovem Guarda e faziam o rock brasileiro. Os Carlos usavam botinha cano curto, calça Tremendão e tocavam guitarra. Kleiton e eu éramos dois guris vivendo em Pelotas, com olhos e ouvidos arregalados para tudo aquilo e sonhando, quem sabe um dia, em cantar na rádio e na televisão. Que na época era em preto e branco.

No interior do Rio Grande do Sul, além do cinema com filmes de cowboy, Tarzan e Tom & Jerry, era através do rádio e da TV que o mundo chegava até nós. Não acontecia quase nada de shows e espetáculos. Pra você ter uma noção, a primeira vez que eu assisti a uma peça de teatro foi de cima do palco. Ou seja, aos 10 anos de idade eu era um dos atores. E foi a primeira e última vez que atuei numa peça. Nunca mais me chamaram para nada, só porque no meio do terceiro ato, em que eu fazia papel de morto, me cocei. Pô, o que é que eu posso fazer? Coceira é que nem pum, não dá pra segurar.

Certo dia, no meio daquele marasmo todo, chegou a notícia de que o Rei Roberto Carlos ia fazer um show em Pelotas. A cidade entrou em polvorosa. Kleiton e eu, e mais a metade da população, fomos para a Avenida Bento Gonçalves ver o artista passar. Haviam anunciado que ele ia desfilar de calhambeque do hotel até o ginásio do Colegio Pelotense, onde aconteceria o espetáculo. Ficamos ali parados a tarde inteira, debaixo de uma chuva fina que molhava as galochas, com um frio antártico rachando os lábios e o vento Minuano perturbando as saias das moças e seus penteados cheios de laquê.
Ficamos ali esperando, esperando... E o Rei não passou.
Deve ter sido um boato que se espalhou, obra de algum engraçadinho. Provavelmente Roberto Carlos nunca ficou sabendo disso. De qualquer maneira, foi uma frustação imensa.

Poderia ter sido um trauma de consequências graves na vida daquelas duas crianças que sonhavam com cabelos compridos e guitarras elétricas. Ali poderíamos ter desistido e tomado outro rumo, sei lá, engenharia mecânica. Mas assimilamos o choque e seguimos em frente com nosso projeto de vida.
Continuamos cantando e compondo, fomos morar no Rio de Janeiro e nossas músicas começaram a tocar nas rádios de todo o Brasil. Só não conseguimos aparecer na TV em preto e branco, pois quando chegamos a coisa já era a cores. Melhor assim.

E nesse vai e vem da vida, terminamos naturalmente encontrando Roberto Carlos e convivendo com ele em estúdio, no palco e na televisão. Viramos colegas de trabalho do Rei. Melhor assim. Não precisamos mais ficar parados na avenida, debaixo de chuva.

Roberto Carlos sempre foi extremamente simpático e carinhoso conosco. Quando conheceu nossa mãe Dalva e nossa tia Dadá, ficou batendo papo com elas e ensinando como conversar com as plantinhas.

Contam muitas histórias estranhas a respeito dele, mas não acredite. As pessoas adoram inventar coisas sobre os mitos. Dizem que ele é um cara excêntrico, cheio de manias esquisitas. Não dê ouvidos. Se você parar pra pensar, no fundo, no fundo, conversar com as plantas, por exemplo, é um negócio bem bacana.
Há algum tempo, Kleiton e eu fizemos uma canção de amor e ficamos pensando que seria ótima para o Roberto cantar. Mandamos uma gravação pra ele, mesmo sabendo que dificilmente ele grava músicas de outros autores.

Outro dia, ao final do novo show dele no Rio de Janeiro, fui até o camarim para cumprimentá-lo. Me recebeu com um longo abraço, afetuoso como sempre, e disse:
- Adorei a música que vocês me mandaram. Fiquei tão emocionado ao escutar que chorei. Chorei de emoção. A música é linda e eu estou pensando em gravar. Estou pensando em gravar...

Aí fui eu que tive que me segurar pra não ter um colapso. Aqueles dois guris do interior, que sonhavam em cantar na televisão, fizeram o Rei chorar de emoção.
São momentos como esse que me fazem pensar que, no fim das contas, tudo tem valido a pena. Até mesmo esperar debaixo daquela chuva fria.
Ah sim, e se ele realmente decidir gravar a canção, me dêem a notícia aos poucos, senão meu coração não aguenta.

Kledir Ramil

Só Faltam as Alianças

publicação original de brazilianvoice. com (clique e leia a crônica atual)

 

Ano que vem, minha mulher e eu vamos festejar bodas de prata. Serão 25 anos de casados, quer dizer, de namoro. Ou, sei lá, de noivado. Só faltam as alianças.

Quando saímos pela primeira vez e falei: tô a fim de ficar contigo, era por uma noite. Mas, ela entendeu que era pra vida toda. Na manhã seguinte, fiquei pra tomar café e nunca mais fui embora. O tempo foi passando, vieram as crianças e aquele papo inicial, ficou carinhosamente registrado como um informal pedido de casamento. Só faltam as alianças.

A palavra aliança vem do latim
alligare
e quer dizer: compor, ligar-se a. Durante séculos, tem sido usada como símbolo de união e felicidade eterna. É claro que esse pacto de fidelidade nem sempre é respeitado. O fato de estar usando uma aliança, não interfere em nada no esforço que alguém precisa fazer para conseguir pular o muro. Pelo menos fisicamente.

De certa forma, no convívio social, uma argola dourada no dedo anular esquerdo funciona como objeto de sinalização. É uma maneira de dizer ao mundo: não estou disponível. Se bem que alguns aproveitam para usar exatamente esse diferencial, como elemento de sedução.

No século IX, acreditava-se que a veia que passava pelo seu vizinho - o tal dedo da aliança, que fica entre o mindinho e o pai de todos - seguia direto para o coração. Por isso, a tradição cristã escolheu esse ponto do corpo humano para amarrar o compromisso da união amorosa.

Hoje em dia, com os avanços da medicina, já se sabe que todas as veias dos dedos seguem em direção ao coração. Ou seja, não é exclusividade do anular. O que você colocar em qualquer um dos dedos, vai interferir diretamente nas suas relações afetivas. Se é que você acredita nessa história de fluxos de energias, e na fantasia de que o coração é o centro das emoções.

Se você leva isso a sério, pode até mesmo mandar fabricar uma aliança de ferro com imã, como faziam os gregos. Mas, o risco é grande. O artefato vai começar a atrair quem estiver a sua volta. Não dá pra ter controle. E, sem critério de seleção, você vai ter que encarar o que aparecer.

Certa vez, uma amiga sugeriu que, já que minha mulher e eu nunca havíamos formalizado nossa união, podíamos pelo menos comprar um par de alianças. Minha mulher se entusiasmou e disse que iria conversar com o Antônio Bernardo. Saltei da cadeira e, rapidamente, argumentei que não posso usar nada nos dedos, pois atrapalha pra tocar violão. E como, pra mim, violão é uma ferramenta de trabalho, nunca mais se tocou no assunto. Consegui escapar. Vocês não têm idéia do preço que sai uma jóia exclusiva, criada pelo Antônio Bernardo.

Há pouco tempo, fomos assistir aos Rolling Stones na Praia de Copacabana, no Rio. Ficamos num lugar tão privilegiado, que dava pra ver até os anéis nas mãos do Keith Richard. E era um monte de anéis.

Aí, caiu a ficha. Minha mulher olhou pra mim, apontando a própria mão, e gritou:

- Como é que ele consegue tocar cheio de caveiras nos dedos?!?
Me fiz de louco:

- Não tô te ouvindo! O som tá muito alto!!!

Kledir Ramil

Torpedo

publicação original de brazilianvoice. com (clique e leia a crônica atual)

 

A grande novidade é que aprendi a passar torpedo. Entro na internet, no site lá do celular, escrevo a mensagem e envio.

Quando eu era garoto, torpedo era o nome usado para furtivas mensagens de amor, como uma cantada escrita num guardanapo de papel. O bilhete era discretamente entregue pelo garçom e incluía um recado verbal: “daquele rapaz simpático na mesa ao lado”.

Agora, torpedo é o nome de qualquer mensagem escrita através do celular. Você pode escrever diretamente nos botões do aparelhinho – não me pergunte como – ou entrar via internet.

Pois bem, escolhi o caminho do computador, onde pelo menos existe um teclado que lembra o da máquina de escrever, e passei um torpedo pra minha filha:

- Alôooo!!!! Pai também existe!!!!!

Assim mesmo, cheio de pontos de exclamação.

Ela tinha ficado de ligar e sumiu. Como sempre. Eles esquecem da gente. Nunca dão notícia. Só lembram que têm pai quando precisam de alguma coisa. E mesmo assim nos deixam esperando, como foi naquele dia.

O celular dela estava fora do ar, por isso tive que aprender a lançar torpedos para tentar um contato. Eu estava a tarde inteira à disposição, aguardando instruções. Ela me deixou um recado, ficou de confirmar tudo e desapareceu. Era alguma coisa como deixar um CD na casa não sei de quem, pegar o Bruno no caminho, encontrar com ela e os amigos - talvez na praça do Jockey - e dar uma carona pra todo mundo até o Circo Voador. Ah, e pra “não esquecer o All Star cor-de-rosa que tá no banheiro, ou embaixo da cama, ou... sei lá, pergunta pra mamãe”.

Tudo bem, é tarefa de gincana, mas faço com o maior prazer. Afinal, é minha função de pai. Só não gosto é de ficar pendurado, esperando.

Hoje em dia, quando chego num hotel e me dão aquela ficha para preencher, costumo colocar “profissão: pai de adolescente”. É minha principal atividade. Ocupa a maior parte do meu tempo. E do meu orçamento.

Ontem fui buscar meu filho na casa de um amigo, ele falou “rapidinho, tô descendo” e me deixou 45 minutos parado na portaria do prédio. Estava terminando um jogo no videogame e não podia interromper de jeito nenhum. Já havia acumulado 50 mil pontos e se parasse perdia tudo.

E eu ali, de plantão.

Kledir Ramil

Uma mulher apaixonada

publicação original de brazilianvoice. com (clique e leia a crônica atual)

 


Mônica bebe. O que se vai fazer? É uma boa pessoa, mas bebe, toma todas. E quando bebe perde completamente o controle. Em hospital, ela já tem conta corrente. Na delegacia o pessoal se diverte.
- Aí vem ela de novo!
Fora as confusões que apronta, é uma figura ótima. Só não pode beber. Naquele dia ela havia começado cedo. Sua namorada andava de caso com alguém, ela supunha. Sentia no ar que alguma coisa estava mal. Dinha era uma garota bacana, gostava de Mônica, mas estava começando a ficar incomodada com aquelas crises de ciúme e o exagero na bebida. Ninguém agüenta muito tempo um clima assim pesado. E andava pensando em cair fora.


Pois bem, naquele dia ela havia começado cedo. Abriu uma cerveja gelada pra aliviar a ressaca. Depois outra e mais outra. Quando a geladeira esvaziou, resmungou qualquer coisa pra companheira, pegou a bolsa e saiu batendo a porta. Encontrei com ela no início da noite, completamente torta, na mesa de sempre. Ficamos ali jogando conversa fora, colocando as vidas em dia. Lá pelas tantas notei que já não estava mais falando coisa com coisa. Sugeri um café quente e ela caiu na risada. Mandou baixar um conhaque duplo, sem gelo. Me contou que Dinha estava tendo um caso, ela tinha certeza. Não tinha provas, mas tinha certeza.

- Não se faz uma coisa dessas com uma mulher apaixonada. Essa garota não era ninguém. Ensinei tudo o que ela sabe. Não se faz uma coisa dessas... – gritava no meio do bar, sob o olhar curioso dos outros fregueses.
Consegui convencê-la a comer alguma coisa. Pedimos uma pizza Marguerita, mas ela só deu umas 2 ou 3 mordidas. Estava sem apetite. Chamou o garçom e pediu uma garrafa de whisky. Saiu porta afora aos berros.

- Não se faz uma coisa dessas com uma mulher apaixonada!!!

Paguei a conta correndo e fui atrás dela. Nesse meio tempo, havia vomitado na beira da calçada e desacatado um policial. Acalmei o PM, chamei um táxi e a levei pra casa. Chegamos ao endereço e subimos as escadas pouco iluminadas do prédio.
- Não se faz uma coisa dessas... com uma mulher apaixonada – repetia aos gritos, acordando os vizinhos.
Perguntei pela chave e, àquela altura dos acontecimentos, ela não tinha a menor idéia de coisa alguma. Provavelmente saíra sem chaves, como sempre. Parou em frente ao apartamento e começou a esmurrar a porta.

- Abre essa porta! Tá aí dentro com a sua namoradinha, não é? - E chutava a porta.

- Vou te encher de porrada!!!

E eu ali naquela saia justa.

- Calma, Mônica, pega leve.
- Pega leve o cacete! Abre essa porta, filha da...!

E continuou dando socos e prendendo o dedo na campainha. Foi quando a porta abriu e apareceu um sujeito com cara de sono, só de cueca e camiseta.

- Ah, é homem é? Então é um namoradinho homem!
Não quis nem saber, enfiou a garrafa de whisky na cabeça do coitado. Rolaram pelo chão até que, finalmente, consegui separar os dois.

- Ô Dona Mônica - gritou o rapaz. - O seu apartamento é o de cima. Você errou o andar de novo.
- Pô, aí... foi mal. Mil desculpas, meu querido. Errei o apartamento. Pega uns copos aí, vamos tomar um gole pra relaxar.

Kledir Ramil

Vegetariano Radical

publicação original de brazilianvoice. com (clique e leia a crônica atual)

 

Na crônica Comida, que está em meu livro de estréia, Tipo Assim, eu cito uma frase de Hipócrates: “O homem é o que ele come”. A partir dessa afirmação, desenvolvo um raciocínio absolutamente distorcido, de que o homem vai ficando com a cara dos alimentos que consome. Ou seja, levei a coisa ao pé da letra.
O escritor Marcio Vassalo, impressionado com a quantidade de vezes em que eu falo de abóboras no meu livro, me perguntou:

- Você tem cara de quê?

Obviamente, estava tentando desvendar o mistério da minha obsessão pela leguminosa e insinuando que minha leitura do pensamento do pai da medicina poderia estar incorreta.

Apesar do meu perfil branquelo e longilíneo, mais próximo de um nabo, respondi ao Marcio dizendo que talvez eu tenha cara de abóbora. Acho que foi uma tentativa de mostrar coerência e sustentar minha teoria furada.

As palavras se prestam a estas distorções e, infelizmente, nem sempre ficam só no âmbito da brincadeira e do bom humor. Alguns políticos brasileiros adoram explicar suas malandragens citando frases famosas. Mas, é sempre através de um ponto de vista meio estrábico.

Voltando à culinária. Sou vegetariano há 30 anos. Meus filhos nunca comeram carne e, seguindo meu raciocínio obtuso, devem estar com cara de abobrinhas. Coitados!

Alguns amigos acham que eu sou muito radical, mas não dá pra ser diferente. Não dá pra ser meio vegetariano. Ou você é ou não é. Assim como não é possível uma moça estar meio grávida.

Tudo bem, concordo que algumas de minhas regras são bastante rígidas. Por exemplo, em minha casa não entra carne de jeito nenhum, o que já gerou várias histórias engraçadas.

Certa vez, numa emergência, uma vizinha pediu se poderia mandar uma panela de feijão para terminar de cozinhar, pois estava com um problema no fogão e um monte de visitas para almoçar. Minha mulher disse pra ela não se preocupar. Chamou nosso caseiro e mandou entregar nosso fogão de seis bocas e um botijão de gás, na casa da vizinha.

Deu um certo trabalho, mas a panela cheia de carne não entrou lá em casa. Era uma feijoada completa, com um porco inteiro lá dentro. Não ia passar no controle de qualidade. A vizinha até hoje conta para os amigos e ninguém acredita.

Em outra ocasião, o cineasta Murilo Salles estava filmando Como Nascem os Anjos, na frente de casa, e me pediu se poderia usar nossa garagem para servir o almoço do pessoal do set. Infelizmente, não foi possível atendê-lo, pois o cardápio do bufê não estava de acordo com as regras da casa. O pessoal teve que comer ao ar livre mesmo, e eu perdi a oportunidade de ver meu nome no agradecimento dos créditos. Sempre que nos encontramos, damos boas risadas dessa história.

O mais difícil em ser vegetariano é ter que agüentar as piadinhas sem graça. A mais manjada é aquela do cara que era um vegetariano tão radical, que levou uma mulher pra trás da moita e comeu a moita.

Quando algum chato abre o sorriso e pergunta: conhece aquela do vegetariano? Eu respondo rapidamente: e tu conheces aquela do cara que entrou no açougue e pediu um metro de lingüiça?

Geralmente dá certo.

 

Kledir Ramil


Crônicas de Kledir Ramil - Direitos Reservados a brazilianvoice. com detentor das publicações originais (clique aqui e visite o site)