Quero
cantar tua história
tuas glorias, teu passado
que cantar teu reisado
numa noite de natal
eu quisera ser igual
aos cantores de peitada
pra meu canto ecoar na estrada
quero
cantar os teus rios
a várzea os arrozais
a serra os canaviais
a lagoa cor de prata
o ruído da cascata
arroios e cachoeiras
pescar nas ribanceiras
sentindo o cheiro da mata
quero
cantar e dançar
com os masquês mascarados
quero lembrar o passado
nas canchas de carreiradas
ser cristão nas cavalhadas
do mouro tomar a lança
quero juntar lembranças
perdidas pelas canhadas
quero
beber a lágrima
dos teus olhos, oh meu santo
quero cantar o canto
de histórias de amor e lenda
são bagaços de moenda
na canavial da existência
resumo, hoje essência
dos caprichos de uma prenda
Um
Canto à Terra (BROU60900001)
Audio - CD
Cantadores do Litoral
Um
Canto à Terra
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Porto Alegre, 18.09.09 - geração de imagens TV Assembléia
Sabenças
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Porto Alegre, 18.09.09- geração de imagens TV Assembléia
SABENÇAS Ivo Ladislau/Carlos Catuípe
A
sabença litorânea
Brota d’alma de sua gente,
Camarão é na vazante
Roncador é na enchente.
Pescador
quer calmaria
E uma praia bem deserta
A maré que enche e vaza
Deixa a praia descoberta.
Um
porongo de farinha,
E uma garrafa de melado (pra quê?)
Pra “estalá os beiço”
Deixa o corpo açucarado
Peixe
de água “sargada”
N‘água doce não vai se “criá”
E a corrida a dos “pexe”
É pra “elis perfilá”
A
sabença litorânea
Tem sempre hora certa
Rede que vai na ressolha
É certo que volta repleta
Um
porongo de farinha,
E uma garrafa de melado
(pra quê?)
Pra “estalá os beiço”
Deixa o corpo açucarado
Noite de São João
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Destino
Navegante
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DESTINO
NAVEGANTE Anddre Sallazar
Não
sou peão, quanto mais
Tenho terra pra plantar
Sou pescador navegante
Minha lida é no mar
No vai e vem dessas ondas
Lutando para a vida melhorar
Calo as angustias, tristezas
Quando saio a navegar
O sal, o sol, vento forte,
Tendo as águas pra domar
Sigo o destino dançante
Do bar com as ondas do mar
Tantas
preces à virgem
Pedindo proteção
Abençoai, minha santa
A tripulação
Dos ventos loucos
Que não deixam as águas em paz
Vou,
meu destino é navegar
No ofício de pescar
Enfrentando os desafios
Que por certo hei de passar
Num sorriso da maré
Puxo redes com fartura
O pescado se entulha
E pra terra vou rumar
O barco volta num segundo
Avista o porto lá no fundo
Do horizonte a aproximar
O apito sopra anunciando
Que o pesqueiro vem chegando
Pra alegria do lugar
Destino
Navegante (BROU60900002)
-
Audio - CD
Cantadores do Litoral
MÃE
D'ÁGUA Kiko Moraes
"
... E leva pras ondas do mar
Oh! Yemanjá
Os pedidos dos filhos de Oxalá..."
Pegue seu barco,
Sua rede, sua fé e se vá
Siga as ondas e os ventos
Pra fome pescar...
Leve perfumes e doces
Um ramo de flores e jogue poria...
Saudando a cabocla sereia
E as falanges do mar...
Odô, Odoioiá minha Mãe Yemanjá
Odoiá minha Rainha do Mar...
Mergulha
no marulho das ondas
Mãe d'água, vistosa e serena
Sereia da estrela prateada
Coroada de mar...
Levita no balanço das ondas
Mãe d'água, vaidosa morena
Com pérolas e cabelos ao vento
Uma estrela a brilhar...
Mãe
D'Água
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Palamenta
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PALAMENTA Ivo Ladislau e Carlos Catuípe
Ta
na hora, ta na hora
Ja vamo sair atrasado
Pra variar o João
Ta hora, ta na hora
O cara não chega ,
que barbaridade
Este
barco palamentado,
Vai saindo atrasado,
É por culpa do João da Nica,
Que se perdeu nas tiriricas.
Olha
a manta de tainha,
Lá pra cima já se alinha,
Pega o suesse e o xergão,
Muito cuidado com o nordestão.
Se
muda o vento, muda o tempo,
Nestas águas de ninguém,
No balanço destas ondas,
A vida joga também.
Aperta
os bentos seu proeiro,
Pra afastar o nevoeiro,
Ta lá praia a rapariga,
A moça é minha , tá pedida.
Olha
a ressolha, lanceia a rede
E é puxada pra matar a sede,
A noite porfia, revirado e alegria,
O mar nos espera nas barras do dia.
Tá
pedida= Pedida em casamento, noiva
Bentos= Proteção , escapulário....
TROPEIROS
DO DIVINO Carlos Catuípe e Ivo Ladislau
OS
TROPEIROS DO DIVINO
DE FAZENDA EM FAZENDA
LOGO DEPOIS DA BANDEIRA
VEM BUSCAR AS OFERENDAS
A BANDADEIRA DO DIVINO
PELA POEIRA DA ESTRADA
VEIO REPLETA DE LUZ
PASSOU NESTA MORADA
O ALFERES, O TAMBOREIRO
RABECA, VIOLA, VIOLÃO
VIERAM COM O FESTEIRO
NA SUA VIZITAÇÃO, AI
"OH DE CASA, MEU SENHOR, AI
A BANDEIRA ESTÁ CHEGANDO, AI
A BANDEIRA ESTÁ CHEGANDO, AI"
A
CASA FOI ABENÇOADA
E TAMBÉM A PLANTAÇÃO
A MANGUIERA, OS CURRAIS
AO DOENTE, PROTEÇÃO
UM
POUCO DE CADA UM
SEMPRE VALE O OFERTÓRIO
O LEILÃO QUEBRARÁ O JEJUM
A FESTA, O FOGUETÓRIO, AI
A
BANDEIRA FOI EMBORA
AGRADECEU À FAMÍLIA
PARA O ANO, ELA VOLTA
VOLTARÁ COM A FOLIA
OS
TROPEIROS DO DIVINO
SE DESPEDEM EM CANTORIA
VÃO PELA ESTRADA A FORA
REPONTANDO ALEGRIA
"POR
ESTA PORTA ENTREMO, AI
POR ESTA MESMO SAIMO, AI
POR ESTA MESMO SAIMO AI”
Tropeiros
do Divino
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Galpão
Açoriano
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GALPÃO
AÇOIANO Carlos Catuípe, Ivo Ladislau e Mário
Tressoldi
Num
galpão Açoriano
Aqui aquerenciado
Tem tafona, tafoneiro
Viola do meu agrado
Gaita rabeca e pandeiro
Num terno afeiçoado
Tem mate, tem braseiro
Fogo aceso do passado
Tem, tem , tem
raspagem da mandioca
num festeiro pixurú
a fornada de farinha,
Rosca, cus-cus e biju
Tem canha, tem doçaria
Pra adoçar mais a doçura
Uma garapa gelada
Melado, rapadura
Tem, tem, tem
No interior desse galpão
Samburá, laço e encilha
Muitas marcas de trabalho
Das águas até as coxilhas
Se a brisa vem do mar
Traz saudade açoriana
De quem um dia plantou
Sonhos na terra pampeana
Foi num galpão açoriano
Que num jogo de capote
Negros olhos insulanos
Me prenderam num só bote
Que este galpão açoriano
Sobreviva em tradição
Gira que gira, boi tafoneiro
Pra sempre neste rincão
TAINHA
DO MARICÁ Mauro Moraes
Vou
aproveitar que a maré,
Anda fazendo folia,
Verificar se o pesqueiro pesado,
É um sinal;
Vai dar bom dia!!!
Vida avisa que o barco vem vindo, sorrindo,
Pra o nosso bem...
Pela afobação do proeiro
O pesqueiro deu sorte e vem que vem
Abrindo os braços um pouco,
Se faz um porto,
E tudo bem!!!
Participação:
Renato Júnior - voz
É
temporada de pescar amor,
De festa, de cantoria,
Vou jogar tarrafa no mar e gritar:
"Boas vinda, tainha"
Linda veja que tempo bonito,
Tão lindo que reluz!!!
E se o mar fosse de beijos, amor,
Beberia essa luz...
Apura o passo mimosa,
A praia é nossa,
De mais ninguém...
O maricá reflorido,
"Tá" mesmo um mimo,
"Vem-cá-vê"...
É
canoa que passa,
E espalha graça nas ondas,
Que fazem rima com as gotas,
Do nosso olhar!!!
É poesia que lida,
Com a maresia, que ainda,
Respira a doce delícia,
Do nosso mar!!!
Tainha
do Maricá
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Porto Alegre, 18.09.09 - geração de imagens TV Assembléia
Cantigas
de Mar Vídeo - Show de Lançamento do CD
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CANTIGAS
DE MAR Ivo Ladislau e Carlos Catuípe
Fiz
as rezas, tenho os bentos,
Tá no barco a palamenta.
Peguei o suesse e o xergão,
Parceiros de tantas tormentas.
Dei um Beijo na Ritinha,
Que pariu mais uma vez.
É mais um pra se "juntá "
Aos outros que a gente fez:
Tem
o Juca que é o "indeix",
Já "escalá e estilá os pêxe
di veis".
Borda Marina e faz pão caseiro.
O Pedro faceiro vai sê "dotô".
Mas o João "garrô"a estrada,
Pegou a viola e se "mandô "
Por este mundão de Deus
Cantando caminho afora,
Cantigas de mar que o avô "ensinô".:
Nesse
mar tem "pêxe"
Lá bem no fundão
Na lagoa eu pego, maninha
É "us" camarão
Lutando c'o mar
Eu trago a canoa
Tá cheia de peixe, maninha
Que notícia boa...
Esse
boi,esse boi, esse boi
É do meu litoral, desse mar azul,
Esse boi, esse boi, esse boi
É do pescador do Rio Grande do Sul
Esse Boi, esse boi, esse boi,
Não judia do boi que ele é daqui
Esse boi, esse boi, esse boi
É o boizinho Pimpão de Tramandaí. Indeix- filho mais novo
Escalá- Retirar as viceras dos peixes
Estilá-Deixar a água do peixe escorrer
Palamenta-Equipamento do barco
Suesse- Chapéu de oleado
Xergão- Manta de lã bruta
Pimpão- Do auto do boizinho de Tramandaí
Cantigas
de Mar (BROU60900004)
-
Audio - CD
Cantadores do Litoral
Maria
Maria
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Porto Alegre, 18.09.09- geração de imagens TV Assembléia
Ventre
Livre
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Porto Alegre, 18.09.09- geração de imagens TV Assembléia
VENTRE
LIVRE Ivo Ladislau e Carlos Catuipe
O
Maçambique não se cala
Ao som do tambor e da puíta
No machacá chocalha caeté
Chocalha o caeté na batida do pé.
Não
se rompem os grilhões
Dessa mãe que ainda vive
Sangra negra, ama e sua
Que teu filho será livre.
Livre para ser escravo
Que tem preço, a caridade
Se teu filho for um bravo
Chegará à liberdade
Vão
ser livres, vão ser livres
Os filhos dessas mulheres?!
Casa grande e senzala
Tronco, sinhô e chibata.
A luta ainda se arrasta
Entre cantos e gemidos
Pra ser livre a luta é vasta
Não basta só ter nascido.
"Oi
vamo-nos embora
E não fica ninguém
Que a virgem do Rosário
Vai com nóis também!"
"Lá
vem o Rei do Congo com a sua infantaria
Coroa na cabeça e um Rosário de Maria!
Ai, minha Rainha Ginga olha e pisa de vagar,
Pras pedras miudinhas não sair do seu lugar!"
"O
Tambor ta batendo,
ta repenicando!
São seus dançantes, oi senhor!
Que o tambor ta chamando!"
(Músicas
incidentais:
“O Tambor ta Batendo” DP,
“Moçambique de Branco” de Cassio Ricardo
e Juarez Weber
e "Vamo-nos embora"DP)